O interior ponto de partida. Gazeta Rural - 20 Anos

2024-08-28

Por Miguel Torres

O futuro do interior não se vê somente a partir de fora, mas também do ponto de vista de quem está dentro! O futuro do interior constrói-se a partir de igualdade de oportunidades para o fazer, independentemente do território onde nos situamos.

Uma comunidade construída na base de uma reciprocidade e na confiança generalizada é mais eficiente do que uma sociedade desconfiada. A confiança lubrifica a vida social. Redes de envolvimento cívico facilitam a coordenação e comunicação e amplificam as potencialidades individuais. As comunidades não serão mais civilizadas e viverão melhor porque são mais ricas, mas antes, serão mais ricas porque terão assumido o desafio de privilegiar o VIVER JUNTOS, partilhando o mais possível para uma construção colectiva participada.

A construção desta comunidade é indissociável do espaço a que se encontra vinculada. A definição desse espaço poderá ser o pretexto e, simultaneamente, o contexto ideal para o desenvolvimento de experiências de participação que conduzam à criação das bases indispensáveis para essa construção.

O compromisso das comunidades com os processos de desenvolvimento tem um impacto significativo na auto-estima e contribui de forma decisiva para a coesão social. A forma de envolvimento nas actividades comunitárias tem um papel importante na preservação e celebração das culturas locais, estimulando a criatividade, etc. É um dos caminhos para a elevação da auto-estima, crescimento pessoal, aumento das capacidades individuais, contribuindo para uma mais efectiva coesão social, promovendo a criação de redes de contactos reforçando capacidades locais.

O processo de mobilização das comunidades para a participação activa nas decisões que lhes dizem respeito é uma das ferramentas de trabalho das Associações de Desenvolvimento Local (ADL) ou dos Grupos de Acção Local (GAL) em que estão integradas. A dinamização destes processos é sustentada nos princípios que permitem a construção de estratégias de desenvolvimento territoralizadas, baseadas numa abordagem ascendente e em parcerias locais, com ações integradas e multissetoriais, sempre tendo por base a Inovação, a cooperação e o trabalho em rede. Estas ferramentas que são o suporte aos projectos que vimos apoiando há mais de 30 anos, baseados na rede de proximidade e confiança que acima se refere, têm sido elementos-chave para os processos de desenvolvimento e construção de comunidades de bem-estar, factores essenciais para termos territórios sustentáveis e de futuro.

Este trabalho só é possível com a afirmação de um processo de comunicação e transparência com os territórios onde estamos integrados, para isso é importante ter os veículos de comunicação, próprios ou de parceiros, que permitam fazer chegar aos destinatários-actores as políticas públicas existentes, ou que não existindo, devemos reclamar.

Aqui chegado é tempo de dar os parabéns à Gazeta Rural e ao trabalho que vem, teimosamente, fazendo em defesa dos projectos existentes nos territórios do mundo rural português, assumindo-se como parceiro dos diferentes actores presentes.

Um bem-haja por isso!

Miguel Torres

Coordenador da ADICES, Presidente da Federação Minha Terra

Artigo publicado originalmente no n.º 458 da revista Gazeta Rural, disponível em: https://gazetarural.com/wp-content/uploads/2024/07/Gazeta-Rural-no-458.pdf


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[ETAPA RACIONAL ER4WST V:MINHATERRA.PT.5]