2026-05-14
Uma publicação recente, promovida pela Comissão Europeia e o Conselho da Europa, revela que, ao contrário da ideia comum de que os jovens rurais pretendem trocar o campo pela cidade, a grande maioria deseja permanecer nas suas regiões de origem. O estudo, que teve entre os autores Francisco Simões, do ISCTE, analisou o impacto da "policrise" — que inclui a pandemia do coronavírus, crises económicas e alterações climáticas — nas escolhas desta geração, que colocam em causa este desejo de "ficar".
A investigação mostra que cerca de 76% dos jovens rurais europeus gostavam de permanecer nos territórios de onde são naturais. O principal motivo apontado é a força das redes de apoio informal, como a família e os amigos, que funcionam como uma base de segurança fundamental em tempos de incerteza. Em muitos casos, estes laços sociais chegam a ser mais determinantes para encontrar emprego ou apoio do que os próprios serviços públicos oficiais.
No entanto, os autores alertam para a falta de políticas públicas específicas, em que muitas vezes, os jovens rurais são "esquecidos" em planos demasiado genéricos que não consideram as suas dificuldades reais e que não vão de encontro às suas expetativas e ambições, nomeadamente a nível de emprego, transportes e participação cidadã, resultando em dificuldades em permanecer nos territórios rurais.
Este trabalho mostra que a juventude rural quer ser protagonista do seu próprio território. Para que isso aconteça, o estudo sugere que o investimento não devem focar-se apenas na economia, mas também no reforço das comunidades e no apoio às redes de proximidade que já mantêm estes jovens ligados à terra.
A publicação está disponível na página do Conselho da Europa (em inglês).
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[ETAPA RACIONAL ER4WST V:MINHATERRA.PT.5]