30 anos de LEADER: Testemunho de Artur Gregório

2022-01-25

Iniciativa "Desenvolvimento Local em Portugal - Uma História Contada na Primeira Pessoa"

Testemunho de Artur Gregório, Associação In Loco

2021 foi um ano de comemorações. Entre os 30 anos de Desenvolvimento Local em Portugal, os 33 da Associação IN LOCO e os meus 25 anos ao serviço desta casa de construção de cidadania e desenvolvimento local sustentado, decorreu um período fundamental para o crescimento da democracia em Portugal e a afirmação do território rural e das suas comunidades.

Nestes anos, que passaram num ápice - embora alguns momentos de transição entre quadros comunitários de apoio tenham sido dolorosos e complicados -, assistimos aos tremendos sucessos das metodologias experimentais e revolucionárias que os pioneiros do LEADER construíram para o Desenvolvimento Local e não só, pois a sua visão integradora rompeu barreiras e ultrapassou limitações sectoriais, mobilizando competências, envolvendo atores, ativando recursos adormecidos há décadas.

Territórios e comunidades que não acreditavam na possibilidade de um futuro, voltaram a erguer-se e a construir caminhos para a posteridade, mesmo num mar de adversidades e dificuldades que teimam em permanecer. Produtos novos surgiram da terra e das mãos, ideias irromperam e concretizaram-se, tradições que se valorizaram, património que se conservou e melhores condições de vida que se tornaram mais fáceis de alcançar. Mas não sem muito trabalho, insistência, perseverança e alguma teimosia, vencendo burocracias, preconceitos, más vontades e a distância destes territórios face aos órgãos de poder.

Pouco a pouco, as parcerias locais foram ficando mais robustas, a confiança entre todos foi solidificando e os Grupos de Ação Local adquiriram a capacidade de estudar, desenhar e implementar estratégias locais de desenvolvimento capazes de dar respostas específicas, e muito eficazes, aos diversos desafios que cada território enfrenta. Tudo isto só foi possível com o tremendo empenhamento dos agentes de desenvolvimento local, uma estirpe de sonhadores e de “fazedores de impossíveis” cuja resiliência só tem paralelo com a das pessoas para quem trabalham.

São técnicos e especialistas que acreditam no potencial do território, nas pessoas e na sua capacidade para assumir novos projetos de vida e de construção coletiva das suas comunidades. A prova máxima à sua dedicação e ao seu sentido de serviço público deriva de terem resistido estoicamente à desmontagem paulatina dos princípios LEADER, ao crescente aumento da burocracia e à diminuição da capacidade para animação territorial e apoio ao investimento em iniciativas estruturantes para as pessoas e para o território. E mesmo assim, atolados em trabalho de secretária, suspirando pelos dias em que podem ir ao campo e contribuir para criar soluções, os animadores locais continuam unidos e determinados em contribuir para o equilíbrio e a sustentabilidade destes locais e pessoas que acreditam e confiam em nós.

São estes os ingredientes fundamentais para a construção de um futuro integrador, sem clivagens rural-urbano, interior-litoral, um futuro mais equilibrado e sustentável em que todos contribuímos para o desenvolvimento local sustentado dos nossos territórios.

O futuro não é claro nem seguro. As ameaças que estão todos os dias à nossa frente são complexas e difíceis. As alterações climáticas são algo que todas as estratégias de desenvolvimento devem integrar e acautelar, os impactos da crise económica resultante da pandemia levarão décadas a ultrapassar, mas também sabemos que, das grandes catástrofes surge uma nova ordem, um novo equilíbrio adaptado aos novos limites e condições. E é assim que esperamos poder continuar a contribuir para apoiar os “portadores de projetos” nos nossos territórios, com animação territorial, com apoio direto ao investimento estratégico, com a força de uma parceira que o GAL personifica e que deve deixar a administração pública confiante, pois partilhamos objetivos e missões: tornar Portugal mais equilibrado, justo e… feliz!

São Brás de Alportel


Diversificação de atividades económicas

 

Durante muito tempo “rural” e “agrícola” foram sinónimos. No entanto, ao longo das últimas décadas as atividades agrícola e florestal foram perdendo peso na economia e no emprego nas zonas rurais, e essa associação deixou de ser evidente. 

Sistemas alimentares territoriais, cadeias curtas e mercados locais

A estrutura do sistema alimentar global é cada vez mais reconhecida como insustentável quer do ponto de vista ambiental, quer socioeconómico e político. Perante esta realidade, várias iniciativas destinadas a promover a adoção de sistemas alimentares alternativos vêm sendo realizadas.

Floresta multifuncional e sustentabilidade territorial

A floresta é um dos pilares do nosso património ambiental, económico e social. Para além da produção de madeira, que continua a ser vital para diversas fileiras industriais, a floresta oferece muitos outros recursos e serviços que têm um enorme potencial de valorização. 

Agricultura familiar e agroecologia

Cada vez mais, os consumidores exigem alimentos seguros e de qualidade provenientes de uma agricultura sustentável e que tenha um menor impacto nos recursos naturais. Já os produtores ambicionam que o seu trabalho se traduza num rendimento justo, que lhes garanta qualidade de vida. 





[ETAPA RACIONAL ER4WST V:MINHATERRA.PT.5]