2011-07-19

Em jeito de conclusões finais, a ELARD responde às questões de partida do encontro que organizou a 15 e 16 de junho 2011, em Sastamala, Finlândia, com a Rede Rural Finlandesa, reunindo 155 participantes de 21 países, entre os quais da MINHA TERRA.
O que se pode aprender com a experiência LEADER fora da Europa?
A implementação de estruturas semelhantes aos Grupos de Ação Local (GAL) fora da União Europeia (UE) é viável, numa demonstração do nível «satisfatório» de flexibilidade e adaptabilidade do método LEADER em diferentes contextos socioecónomicos. De uma maneira geral, as experiências LEADER em países como a Rússia, Ucrânia, Moçambique e Cabo Verde geraram uma série de impactos positivos nas comunidades envolvidas. Em Cabo Verde, por exemplo, a metodologia LEADER inspirou fortemente o Programa Nacional de Luta contra a Pobreza (PLPR), como explicou Luís Chaves da MINHA TERRA.
O LEADER pode superar as barreiras culturais e as diferenças socioeconómicas entre a UE e os países em desenvolvimento?
Os exemplos apresentados demonstraram que questões como as de género - fortemente enraizadas na tradição e cultura locais - podem ser difíceis de superar. Contudo, experiências-piloto em Moçambique e Rússia mostraram que é só uma questão de tempo e trabalho até que tais mudanças ocorram. Na verdade, quando as pessoas perceberam o potencial da metodologia LEADER, nomeadamente ao nível da sua participação na construção do futuro dos seus territórios, as barreiras culturais e os obstáculos começaram a desvanecer-se. Donde, o LEADER tem definitivamente potencial para superar as barreiras culturais e as diferenças socioeconómicas entre a UE e os países em desenvolvimento desde que haja tempo para familiarizar a população local com as noções essenciais da filosofia LEADER.
A cooperação é mutuamente frutuosa ou é mais solidariedade e ajuda ao desenvolvimento?
Os resultados positivos para as populações locais e a economia dos territórios podem também ser interpretados como uma forma de ajuda ao desenvolvimento. Qualquer forma de cooperação pode ser potencialmente benéfica para ambas as partes. O LEADER não introduz novas formas de abordagem para o desenvolvimento em países terceiros mas a interação com os atores locais destes territórios traduz-se numa experiência de aprendizagem mútua que enriquece o LEADER como metodologia. Além disso, os contactos desenvolvidos através do trabalho LEADER podem resultar em projetos concretos de cooperação.
O que se pode refletir sobre o desenvolvimento metodológico do LEADER fora da UE?
No contexto dos países em desenvolvimento, o nível de burocracia é quase inexistente. Ou seja, novas experiências podem ser implementadas sem grandes demoras ao nível da legislação, etc. A abordagem LEADER reflete as necessidades locais colocando o promotor/beneficiário no centro de todo o processo - o que tem vindo a ser esquecido na União Europeia onde o peso da burocracia e sobreposição de estruturas tem ajudado a criar uma imagem um pouco sombria do desenvolvimento rural aos olhos do promotor/beneficiário.
Além das conclusões finais, o documento - «A general overview of the LAG»s Global Networks seminar», 15th-16th of June 2011» - disponível no site da ELARD, aqui, enquadra a organização do evento, apresenta um breve resumo das apresentações dos oradores convidados e ainda convida a espreitar uma galeria de fotografias que ilustram bem os momentos vividos na ilha de Ellivuori.
O livro “Receitas e Sabores dos Territórios Rurais”, editado pela Federação Minha Terra, compila e ilustra 245 receitas da gastronomia local de 40 territórios rurais, do Entre Douro e Minho ao Algarve.
[ETAPA RACIONAL ER4WST V:MINHATERRA.PT.5]