2026-03-25
Por Alberto Santos
O seminário europeu “Ensuring the Right to Stay for Young Farmers and Rural Youth”, que decorreu em Bruxelas no passado dia 11 de março de 2026, tinha como foco debater o direito de permanência dos jovens nas zonas rurais. Foi um momento de elevada importância para o entendimento da realidade nos territórios rurais da UE e das novas diretrizes europeias, constantes da Estratégia da UE para a Renovação Geracional. A variedade de nacionalidades e setores dos participantes permitiu uma discussão multissetorial e participada das principais problemáticas identificadas e propostas de ação presentes na estratégia, bem como das resultantes dos grupos de trabalho, onde participei.
A necessidade de debater o futuro da agricultura, bem como a importância de a tornar atrativa para os jovens, prende-se com uma realidade preocupante: em 2020, a idade média dos agricultores na UE já era de 57 anos, com apenas 12% abaixo dos 40 anos. Quando olhamos para a realidade portuguesa o cenário é ainda mais crítico: Portugal destaca-se por ter a idade média mais elevada, fixando-se acima dos 60 anos. Este envelhecimento acentuado reforça a urgência da transição geracional para o futuro da produção agrícola e das regiões rurais europeias. Para além disso, houve ainda um foco na importância de potenciar a participação das mulheres na agricultura, dado que apenas 2,5%, do total de agricultores, são mulheres.
Antes do início dos trabalhos em áreas setoriais, foi apresentada a Estratégia para a Renovação Geracional, bem como foram apresentados casos de sucesso de jovens na agricultura, de vários países, inclusive com a participação portuguesa do GAL LITORAL RURAL, convidado pela EU CAP Network para integrar o seminário europeu.
Grupo de Trabalho: Construir Competências e Capacidade de Inovação
A sessão setorial sob o tema “Building skills and innovation capacity” evidenciou que a agricultura moderna exige um perfil altamente qualificado e dinâmico. A transição geracional não se faz apenas com a passagem de terras, mas com a transferência e atualização de conhecimentos essenciais. Em termos resumidos, foram discutidos:
Grupo de Trabalho: A Juventude como Cocriadora de Políticas
Sob a temática “Youth as co-designers of policy” abordou-se essencialmente o envolvimento dos jovens nos processos de governança: não basta fazer políticas “para” os jovens, é imperativo fazer políticas “com” os jovens. Discutiram-se pontos como:
Notas Finais
Em termos gerais, discutiu-se ainda a proposta de aumentar de 12% para 24% os jovens agricultores, na UE, até 2040. Da mesma forma, foram discutidas as fontes de financiamento para a estratégia e para o setor agrícola, e a proposta de afetar um mínimo de 6% à renovação geracional, do orçamento para a futura reprogramação da PAC.
A resolução chave do encontro é que a verdadeira mudança só acontecerá se conseguirmos reter o talento jovem nos territórios rurais, conferindo-lhes o “direito de ficar”. O setor precisa de infraestruturas, estabilidade de rendimentos e, acima de tudo, de ser visto e ouvido. Os jovens, para fazerem da agricultura uma real opção de vida, necessitam essencialmente de acesso à terra, ao crédito e a acompanhamento técnico.
Simultaneamente, os jovens necessitam de uma voz na definição do setor, onde a conjugação de competências inovadoras e de um papel ativo na definição das regras do jogo é, sem dúvida, o caminho mais seguro para garantir condições de vida e a permanência nos territórios rurais.
Para finalizar, importa também realçar o papel dos GAL nestes desafios: reforçar a participação dos jovens nas respetivas estruturas de governação e nas equipas técnicas; incentivar a integração de jovens e respetivas associações, na rede de parceiros dos GAL; promover uma maior articulação com os centros de competências, por forma a promover uma agricultura mais ecológica, sustentável, tecnologicamente inovadora; bem como, apoiar os jovens agricultores em domínios empresariais e de mercado. Entendo que todos estes pontos chave de ação dos GAL são promotores de fixação de jovens no mundo rural, de criação de massa critica e de retenção de talentos.
Alberto Santos
Geógrafo, Técnico Superior do Monte – Desenvolvimento Alentejo Central, ACE
Publicado originalmente no site do Monte: Reflexão: Garantir o “direito a ficar” e o Futuro da Agricultura Europeia – Monte – ACE
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[ETAPA RACIONAL ER4WST V:MINHATERRA.PT.5]