2026-03-30
No âmbito da preparação da Estratégia Nacional para a Economia Social, a CASES promoveu uma consulta pública para ouvir o setor e recolher contributos sobre os principais desafios e prioridades para os próximos anos. Os resultados mostram uma visão clara e largamente partilhada: a Economia Social precisa de condições estruturais para se fortalecer, inovar e aumentar o seu impacto.
A consulta contou com mais de mil acessos e uma participação maioritariamente assegurada por entidades da Economia Social, em especial IPSS e organizações ligadas à intervenção social. Apesar de uma participação desigual entre territórios, os contributos recolhidos revelam uma forte convergência de temas e preocupações, permitindo identificar prioridades estratégicas comuns.
Entre os principais desafios destacados estão a sustentabilidade financeira, a valorização e retenção de recursos humanos, o reconhecimento institucional do setor, a complexidade burocrática, a necessidade de reforçar a cooperação entre entidades e os desafios associados à transição digital. As alterações demográficas e as desigualdades territoriais reforçam a urgência de respostas mais integradas e ajustadas às realidades locais.
A consulta evidencia também a evolução do papel da Economia Social. A par de áreas já consolidadas — como a ação social, a infância, o envelhecimento e a saúde — surgem áreas emergentes com forte potencial, como o envelhecimento ativo, a habitação, a saúde mental, a inovação social, a transição ecológica e a digitalização. Estas áreas apontam para uma Economia Social cada vez mais orientada para a inovação e o desenvolvimento sustentável.
As prioridades estratégicas identificadas convergem em três grandes eixos: melhor acesso ao financiamento, maior reconhecimento do setor e capacitação dos recursos humanos. A estes juntam‑se a inovação social, a modernização digital e o reforço da dimensão regional e local.
No plano da governação, os contributos sublinham a necessidade de mecanismos de coordenação mais eficazes, com uma governação multiactor, maior articulação entre políticas públicas, estruturas territoriais mais fortes e melhor uso de dados. A comunicação surge igualmente como uma prioridade, para reforçar o conhecimento, a valorização e a confiança na Economia Social junto da sociedade, dos decisores públicos e dos parceiros económicos.
No seu conjunto, a consulta pública confirma a necessidade de uma agenda de transformação estrutural da Economia Social, assente na sustentabilidade, na profissionalização, na modernização e no impacto social demonstrável. As conclusões agora apresentadas constituem uma base sólida para a definição da Estratégia Nacional para a Economia Social.
Aceda ao relatório aqui.
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[ETAPA RACIONAL ER4WST V:MINHATERRA.PT.5]