2014-04-21
Dedicado aos Produtos Locais, o número de abril do jornal Pessoas e Lugares foca a relevância da temática, chamando a atenção para os desafios que se colocam às produções locais, a importância dos circuitos curtos de comercialização na aproximação (e sensibilização) de produtores e consumidores e o destaque do tema nas estratégias de desenvolvimento das ADL.
Apesar da mudança nos padrões de consumo dos portugueses, que valorizam e optam, cada vez mais, pelos produtos nacionais e do enorme potencial que estes representam, “há constrangimentos que atingem muito diretamente estas produções”, como sublinha Regina Lopes, no Editorial.
O quadro regulamentar nacional, “altamente restritivo e desadequado”, e “as quantidades insuficientes e irregulares das produções constituem, na sua opinião, as principais limitações das produções locais, cujo maior entrave é (ainda) a distribuição.
Com um bom conhecimento da realidade local e uma relação de grande proximidade com os produtores e outros agentes dos territórios, as Associações de Desenvolvimento local (ADL) têm vindo, ao longo dos últimos 20 anos, a empenhar-se em procurar formas de ultrapassar os obstáculos e as dificuldades, seja através do apoio direto a pequenas iniciativas empresarias, à abertura de lojas em espaços urbanos, à criação de rotas temáticas ou de circuitos curtos de comercialização.
E é muito deste trabalho desenvolvido – “uma prova viva de que os territórios rurais possuem muito potencial e capacidade de iniciativa – que dá conta este número do Pessoas e Lugares, frisando também a importância do Ano Internacional da Agricultura Familiar, celebrado este ano de 2014.
Em entrevista, o Secretário de Estado da Alimentação e Investigação Agroalimentar, Nuno Vieira e Brito, considera que “tem havido um esforço contínuo de medidas de apoio ao pequeno produtor”, fundamentalmente, nas áreas da produção, comercialização e marketing.
Três textos de Opinião, assinados pelo Diretor Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (Pedro Teixeira), pela Secretária Geral da Qualifica (Ana Soeiro) e pela Coordenadora da DESTEQUE (Aurora Ribeiro), defendem a produção local, a qualificação e comercialização dos produtos tradicionais, e a importância da sua valorização nas estratégias de desenvolvimento dos territórios rurais.
Diversificação de atividades económicasDurante muito tempo “rural” e “agrícola” foram sinónimos. No entanto, ao longo das últimas décadas as atividades agrícola e florestal foram perdendo peso na economia e no emprego nas zonas rurais, e essa associação deixou de ser evidente. |
Sistemas alimentares territoriais, cadeias curtas e mercados locaisA estrutura do sistema alimentar global é cada vez mais reconhecida como insustentável quer do ponto de vista ambiental, quer socioeconómico e político. Perante esta realidade, várias iniciativas destinadas a promover a adoção de sistemas alimentares alternativos vêm sendo realizadas. |
Floresta multifuncional e sustentabilidade territorialA floresta é um dos pilares do nosso património ambiental, económico e social. Para além da produção de madeira, que continua a ser vital para diversas fileiras industriais, a floresta oferece muitos outros recursos e serviços que têm um enorme potencial de valorização. |
Agricultura familiar e agroecologiaCada vez mais, os consumidores exigem alimentos seguros e de qualidade provenientes de uma agricultura sustentável e que tenha um menor impacto nos recursos naturais. Já os produtores ambicionam que o seu trabalho se traduza num rendimento justo, que lhes garanta qualidade de vida. |
O livro “Receitas e Sabores dos Territórios Rurais”, editado pela Federação Minha Terra, compila e ilustra 245 receitas da gastronomia local de 40 territórios rurais, do Entre Douro e Minho ao Algarve.
[ETAPA RACIONAL ER4WST V:MINHATERRA.PT.5]