Isabel Estrada Carvalhais defende mais poder de decisão e financiamento para os territórios rurais

2026-11-03

Na apresentação das conclusões da Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural ‘LEADER: a política que transforma territórios’, a académica e antiga eurodeputada Isabel Estrada Carvalhais defendeu uma maior influência das áreas rurais na construção das políticas e um aumento do financiamento para estes territórios.

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Isabel Estrada Carvalhais defendeu, no encerramento da Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural «LEADER: a política que transforma territórios», em Vila Verde, que o mundo rural deve ser reconhecido pelo seu valor próprio e ter um papel ativo na definição das políticas que determinam o seu futuro. «O mundo rural vale por ele mesmo», afirmou, sublinhando que os territórios não podem ser valorizados apenas pelo contributo que dão aos espaços urbanos, à produção agrícola, à biodiversidade e à segurança alimentar, mas também pela sua identidade, património, recursos e capacidade de construir futuro.

A académica e antiga eurodeputada destacou o papel do LEADER e dos Grupos de Ação Local na promoção de uma «democracia viva, participativa e de proximidade», defendendo, contudo, que a participação das comunidades deve ir além da auscultação e da consulta, traduzindo-se numa verdadeira capacidade de decisão. As populações e os agentes locais devem poder influenciar efetivamente as opções de desenvolvimento dos seus territórios.

Alertou ainda para o desfasamento entre o reconhecimento da importância estratégica dos territórios rurais e os recursos que lhes são disponibilizados, considerando que o próximo quadro europeu de financiamento deve assegurar meios, capacidade de decisão e condições efetivas de intervenção. Defendeu também que o desenvolvimento rural deve ser reconhecido como parte integrante da defesa e soberania europeias, nomeadamente pela sua importância na autonomia e segurança alimentar.

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Isabel Estrada Carvalhais sublinhou que não existe uma única realidade rural, pelo que as políticas públicas devem considerar as diferenças entre territórios, os desafios do envelhecimento e do despovoamento, o papel das mulheres na preservação das comunidades e as especificidades das regiões autónomas dos Açores e da Madeira.

Quanto ao futuro dos Grupos de Ação Local, deixou uma mensagem dirigida às instituições europeias e aos responsáveis políticos nacionais, resumida em três palavras: «Respeito, apoio e ferramentas». Defendeu que estas estruturas precisam de reconhecimento institucional, financiamento adequado e maior facilidade na gestão dos projetos, lembrando que «exige receber para poder continuar a dar».

A terminar, deixou uma palavra de gratidão a todos os que dedicam a sua vida à defesa dos territórios e das comunidades rurais, reforçando que o futuro do mundo rural depende não apenas do reconhecimento da sua importância, mas também da participação efetiva das populações, do poder de decisão dos agentes locais e dos recursos necessários para concretizar projetos ajustados à realidade de cada território.


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