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Empreendedorismo Rural - Particularidades e desafios

por António Carrizo Moreira

Licenciado em Engenharia Eletrotécnica, Mestre e Doutor em Gestão. Professor no Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial da Universidade de Aveiro.

 

Os empreendedores têm jogado um papel preponderante na sociedade ao criarem novas empresas e novos negócios. A economia sem o seu contributo não seria a mesma.

O processo de desenvolvimento económico é complexo e envolve muitos fatores, nomeadamente, um potencial empreendedor, a existência de condições económicas favoráveis, a disponibilidade de recursos, tanto materiais como financeiros, fortes instituições de formação e uma política económica que encoraje e incentive o risco.

Se a criação de novas empresas é um assunto complexo no âmbito empresarial, os problemas são acrescidos no âmbito do empreendedorismo rural devido a três tipos de problemas prementes que se relacionam com as estruturas sociais e económicas e com o ambiente físico.

Algumas das características mais marcantes da ruralidade são a baixa densidade populacional e a ampla distância face aos principais mercados, o que muitas vezes impede que os empresários rurais alcancem economias de escala ou uma massa crítica, que lhe assegurem a competitividade. As dificuldades da distância impõem um custo de transação elevado aos negócios rurais porque a acessibilidade aos principais fornecedores, clientes, mercados e capital social de comunidades urbanas e suburbanas é, muitas vezes, limitada. As características associadas ao pequeno tamanho da população e à baixa densidade populacional dificultam o desenvolvimento do tecido social e o relacionamento interempresarial.

A composição social e económica das áreas rurais afeta o empreendedorismo rural dado que a economia rural é caracterizada, muitas vezes, por um forte concentração em actividades agrícolas, na extração de recursos naturais e na exploração de actividades industriais simples. Claramente, como consequência desta falta de atividades económicas diversificadas, as áreas rurais estão embebidas numa cultura muito própria que muitas vezes rejeita a inovação e dificulta a diversificação empresarial.

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Outros obstáculos socioeconómicos do mundo rural são o baixo nível de formação e a falta de diversidade laboral, quando comparado com outros ambientes urbanos mais desenvolvidos. Como consequência, há uma forte pressão para as pessoas mais qualificadas procurarem melhores condições de trabalho fora da comunidade rural, o que minora a probabilidade de interação socioeconómica com outras regiões. Por outro lado, as instituições, tanto públicas como privadas, precisam de recrutar quadros qualificados de fora do ambiente rural, o que normalmente não é muito atraente para pessoas qualificadas de regiões mais desenvolvidas.

A localização é uma característica principal do ambiente físico, dado que está relacionada com os principais mercados, fornecedores e parceiros, o que impõe um custo de transação desfavorável às empresas rurais como mencionado anteriormente.

A presença de recursos naturais é outra característica do ambiente físico com obstáculos e oportunidades. A presença de recursos naturais é considerada positivamente para economias rurais, dado que geram emprego e outras oportunidades económicas para a economia local. Não obstante, estes recursos naturais são transportados frequentemente para outras regiões onde são reprocessados e sofrem outras transformações. Nestas circunstâncias a economia rural fica com as fatias de menor valor acrescentado, criando externalidades económicas positivas para outras regiões mais desenvolvidas, o que acaba por aumentar o fosso económico para as outras regiões.

Finalmente, a presença de paisagens e outras características ambientais e culturais são fatores económicos importantes na exploração do potencial rural, desde que haja condições para explorar as qualidades/características da tradição, do artesanato, da natureza, do lugar e da cultura local.

A ruralidade tem características únicas. O essencial é saber aproveitar as oportunidades que a ruralidade nos apresenta, na exploração das diversas atividades exógenas, sejam elas de âmbito turístico, cultural, agrícola, recreativa, gastronómica, folclórica e/ou religiosa. Claramente, o empreendedorismo rural pode jogar um papel importante na criação de novos empregos, de maior rendimento e de riqueza e, assim, combater as principais fraquezas económicas e ambientais das comunidades rurais.

A política pública joga um papel primordial na criação de condições que fomentem o empreendedorismo, sobretudo no apoio à criação de condições que fomentem a geração e concretização de novas ideias em oportunidades de negócio e comportamentos empreendedores.

Metaforicamente, se um empreendedor procura um sonho, a política pública deve fomentar o desenvolvimento do sonho. De forma a aproveitar as oportunidades económicas, o empreendedor deve correr riscos, deve ter coragem de sair da sua zona de conforto. A política pública deve permitir que o empreendedor dê hipóteses ao sonho, de forma a preparar adequadamente que o sonho seja bem-sucedido. Esta política pública de fomento ao empreendedorismo deve procurar uma transição intencional que valorize as pessoas no seio da sua comunidade.

Se o sonho comanda a vida, o sonho não pode ser uma adenda à vida. É a vida. Como sempre, é necessário atenção constante para que o sonho possa continuar a avançar. A política pública deve então permitir que se sonhe, que se tome posse do sonho para que este seja bem-sucedido.

Claramente, o empreendedorismo, sobretudo em meios rurais, é muito mais do que a mera criação de empresas: é um passo importante na reconciliação entre a coesão social e o sucesso económico. É no fundo capacitar o mundo a viver de forma mais ampla com uma maior visão e com melhor espírito de esperança e realização.

Artigo de opinião publicado em Setembro de 2011, no Jornal Pessoas e Lugares Nº 2.

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Edição da DGADR e Minha Terra, publicada no âmbito do projeto Territórios em Rede II, com o apoio do Programa para a Rede Rural Nacional.

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O programa “Terra Viva”, emitido pela TSF em 2011 e em 2014, reforça a aposta de comunicação da MINHA TERRA, divulgando e promovendo iniciativas de desenvolvimento local, em meio rural.

 

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Territórios em Rede é a revista da Cooperação LEADER, editada no âmbito do projeto Territórios Rurais em Rede - financiado pelo Programa para a Rede Rural Nacional.

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A publicação “3 Projetos LEADER” dá a conhecer projetos apoiados no âmbito daAbordagem LEADER nos Programas de Desenvolvimento Rural do Continente (PRODER), Açores (PRORURAL) e Madeira (PRODERAM). 





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